7.11.08

Sou eu mesmo

Onde me levam estes devaneios
Já os tive tantas vezes e achei que deles tinha me perdido
Como faço para entender-lhes?
Não está certo.
Seria incorrer em erro.
O que há de mim que ainda me surpreende é o que de mim não conheço

Sou eu mesmo

É que posso ser cruel, promíscuo e contraditório
Mesmo na censura da negociação de meu super-ego
Que, incapaz, não consegue controlar-me
Não impõe as rédeas com o devido aperto
Por que me permito?
O presságio é certo que me invade por vezes e esfrega-se em minhas fuças...
Mas nada, nada é como isso

(...)

Olho para o Caravaggio do mesmo modo que vejo-o olhar
É admiração, mas é obscuro
É tentador, mas inquietante
É ele mesmo, sou eu mesmo
Sim, é como uma inclinação
Uma prostração a forças que não conhece
Mas tão sedutoras, tão interiores
Tão próprias
Tão nossas
Um oposto de dentro
Um externo curvado
Um maravilhado obscuro
Diante de uma espremida junção de têmporas

- - - - - - - - - -
Milene


... mas os olhos que fitam exercem uma atração irresistível... Ciências Morais, Kohan

Goo Goo Dolls - Let love in
Lulu Santos - Tão bem

Um comentário:

  1. É inacreditável a profundidade que essas suas palavras atingem... parece que estamos indo em direção ao perfeito alinhamento de forma e conteúdo!!!

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