20.3.11

Primeira luz

Havia uma luz naqueles olhos. Ao que tudo indica, quando a luz toca algo pela primeira vez, a iluminação que ela traz é tão inusitada, tão diferenciada, tão nova, que o Belo emerge. Não bastasse isso, aqueles olhos também afoitavam-se em movimentar-se sempre e sempre mais. Eles simplesmente não conseguiam parar de se mexer. Acompanhava-os a delicadeza das pestanas acima posicionadas, como que querendo falar, expressar-se pela maravilha do que se via. Ao redor, ainda se podia notar aquelas saliências avermelhadas e rechonchudas com uma textura tão suave que pareciam quebrar se o toque fosse muito forte. Só não eram tão suaves quanto aquelas partezinhas carnudas, quase rosadas e que se abriam para imitar os que em volta estavam. Só não se podia definir se a Beleza maior era a da luz que por aqueles olhos era vista ou se do observar de toda esta contemplação.

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